top of page

Um espaço de possibilidades

  • 6 de abr. de 2015
  • 3 min de leitura

Na década de 1970 a cidade de Rio Preto passa por um período de destruição de seus patrimônios históricos, onde nem mesmo a Esplanada da Estação Ferroviária escapou. Composta por sua escadaria central e pela Praça Paul Harris, via em seu contidiano o movimento da urbe em pujança. Passavam por ali todos os dias viajantes, comerciantes, mercadorias e também curiosos.

Mote de campanha política, a esplanada deveria então ceder lugar para a construção da arquitetura modernista do edifício da Rodoviária. Mesmo a par de todos os agravantes que essa localização traria para o centro urbano, assim o fez o então prefeito. Na mesma década, a Catedral de São José finalizada no início dos anos de 1930 é demolida devido ao projeto de uma nova Catedral com vitrais coloridos, o qual nunca foi inteiramente executado. Seguindo essa lógica, é a vez das fábricas e galpões de beneficiamento de grãos ao longo da linha férrea, aos poucos esses imóveis foram desapropriados e transferido para o novo distrito industrial.

Nesse contexto surge a disposição para criar um novo espaço nesses terrenos desapropriados. Previsto no Plano de Melhoramentos Urbanos de Eiras Garcia, como forma de solucionar o deficit de áreas verdes da cidade e dar seguimento ao plano, é realizado então o concurso para a criação da Praça Cívica.

O projeto ganhador previa, além de espaços livres verdes, a construção de alguns edifícios de fins culturais e comerciais. Entrentato, devido a grande escala do projeto, somente um edifício foi construído, o qual hoje abriga a Biblioteca Municipal, Secretaria de Cultura, Pinacoteca e Museu.

Apesar do nome Praça Cívica, o seu caráter cívico talvez nunca tenha sido, de fato, concretizado, devido à dificuldade de acesso da população ao local imposta pela linha férrea e pelos edifícios da Rodoviária e Ferroviária, os quais se portam como barreiras físicas e acabam por agravar a falta de comunicação entre um lado e outro da estrada de ferro.

5.jpg

Com o passar do tempo a Praça foi ganhando um aspecto de abandono, iluminação deficiente no período noturno, bancos velhos e vegetação sem cuidados. Atualmente, sua imagem é lida pela comunidade riopretense como um lugar perigoso, à margem do sentido de civilidade, majoritariamente ocupada por usos transgressores como abrigo para moradores de rua, usuários de drogas e prostituição.

Entretanto, pode-se dizer que esta Praça se mostra como um símbolo da diversidade existente em uma cidade. Uma área híbrida onde ocorrem os mais variados tipos de usos e encontros. Se ao longo do período noturno a presença predominante é de moradores de rua e usuários de drogas, ao longo do dia essa presença se torna mais tímida e a praça é utilizada basicamente como um ‘’corta caminhos’’ para a população que frequenta o centro da cidade e o terminal rodoviário.

fotos celular ze ate 090314 195.jpg

Além disso, vários eventos da cidade já foram realizados no local: 2 edições da Bienal do Livro, Festival Internacional de Teatro (FIT), abrigou também em 2013 shows musicais promovidos pelo Governo do Estado de São Paulo para a Virada Cultural Paulista e esporadicamente é utilizado como local de ensaio para a Bateria da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho’’ campus de São José do Rio Preto.

Nesse sentido é possível perceber a importância desta Praça para a cidade, que mesmo se encontrando em uma área que não é considerada atraente para a população, consegue reunir os mais diferentes grupos sociais. Justamente por este fato foi desencadeado um movimento que luta contra uma possível retirada da Praça Cívica para a construição de uma extensão do terminal rodoviário.

10365004_628783170543266_1759590232_o.jpg

O Movimento institulado como ‘’Na Praça é de Graça’’ tem o objetivo de demonstrar a importância desta Praça para os habitantes da cidade, mostrar as potencialidades muitas vezes não utilizadas do lugar e principalmente deixar claro que a Praça é exerce seu papel público. É na verdade uma convocação aos habitantes de São José do Rio Preto para participarem da vivência do espaço público e nele poderem usufruir das diversidades contidas ali. Propondo, através das mídias digitais, a exemplo da página criada no facebook, um espaço democrático e de possibilidades.

 
 
 

Comentários


Destaque
Mais recentes
Archive
Search By Tags
Follow Us
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

© 2014 por Website em breve. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page