top of page

Histórico Parte II: a década de 1950 e o processo de modernização

  • 22 de set. de 2014
  • 5 min de leitura

Para contextualizar melhor a atual cidade de São José do Rio Preto, seu traçado, suas avenidas, viadutos e praças, é imprescindível voltar a década de 1950, época importantíssimo para o município em pujança.

Devido à chegada da Estrada de Ferro Araraquarense, Rio Preto via-se em constante crescimento e desenvolvimento econômico. O entorno da esplanada já havia se consolidado em comércios e serviços ao lado do centro, e indústrias ao lado do Rio Preto e da EFA. O novo edifício da Estação Ferroviária, construído em 1941 no lugar do edifício anterior, se caracterizava por sua arquitetura eclética, misto de estilo de Art Déco com Neoclássico. Sua entrada principal, marcada por seu pé direito alto, estava alinhada com a escadaria responsável pelo acesso Esplanada – Rua Pedro Amaral.

Essa intensa movimentação de pessoas, mercadorias e capital, tornou-se um atrativo. A facilidade em escoar a produção, receber mercadorias e encontrar serviços fez com que a cidade de Rio Preto crescesse de forma desordenada, fruto também da ausência de uma política de desenvolvimento urbano. Desta forma, começam a ocorrer mudanças na estruturação do espaço urbano da cidade.

Surgem então loteamentos cada vez mais esparsos, sem articulação viária entre si e permeada por vazios urbanos. Nesse sentido, a malha urbana, antes composta por bairros contiguos ao primeiro núcleo urbano, vê-se em expansão para além das barreiras físicas existentes no sítio geográfico. Torna-se, então, imprescindível a resolução de alguns problemas advindos desse espraiamento como, por exemplo, o alagamento das áreas de fundo de vale, a transposição dos córregos e da linha do trem sentido Vila Maceno, ocasionando dificuldades no tráfego de automóveis e pessoas, e a ampliação da rede de água e esgoto.

À convite do governo municipal ou, por vezes, da sociedade, alguns especialistas da capital do Estado vieram a Rio Preto para estudar e solucionar tais questões. Primeiramente estiveram aqui Prestes Maia, Carlos Lodi e Luis Carlos Berrini, mas até onde se sabe não há registros de terem realizado nenhum plano. Em seguida foi a vez de Luís Saia o qual apresentou um plano para a cidade, porém não foi aceito por divergências políticas.

De acordo com FRANCISCO (2007)[1] a década de 1950 passou então a ser marcada pela introdução do urbanismo modernizador, a partir da elaboração de um plano de autoria do engenheiro-arquiteto da Prefeitura de São Paulo Heitor José Heiras Garcia, a mando do então prefeito Alberto Andaló. Com o intuito de embelezar e modernizar a cidade foram desenvolvidas, entre 1956 e 1958, obras que abrangeram melhoramentos urbanos, tais como a remodelação das três praças centrais, a urbanização do parque da represa municipal e a canalização dos córregos Borá e Canela; e a elaboração de um plano geral de urbanização que correspondeu a um anteprojeto para ‘Vias de comunicação – espaços livres e distribuição de distritos’ e o ‘Zoneamento’ consubstanciado na Lei 535/58 – Zoneamento, Uso, Ocupação e Volume das edificações – aprovado na íntegra pela Câmara Municipal.

De forma a contextualizar esse forte interesse em modernizar a cidade como forma de garantir o progresso, é importante ressaltar que se trata de uma época contemporânea à construção de Brasília e à valorização do automóvel como principal meio de condução, onde muitas cidades, entre metrópoles e cidades de porte médio, adotaram essa visão no seu planejamento.

A partir de então, a feição urbana da cidade, de predominância pelo tradicional baixo casario, é substituída por edifícios verticais modernos, configurando uma nova volumetria na área central de Rio Preto, transformando, assim, a paisagem de características caipiras, remanescentes da vida no campo.

centro década de 1960

O conjunto formado, no centro da cidade, pelas três praças e a Catedral de São José – Praça Ruy Barbosa, Praça São José e Praça Dom José Marcondes - previstas no plano desenhado pelo engenheiro-urbanista Ugolino Ugolini, tem seu desenho questionado a partir da década de 1950, quando a necessidade em modernizar a cidade vem à tona a partir do plano de “melhoramentos urbanos” elaborado por Eiras Garcia. Segundo o engenheiro arquiteto não foir possível aproveitar nenhum elemento das praças ao novo projeto.

O planejamento urbano moderno de Eiras pode ter contribuído para um ímpeto destrutivo dos edifícios históricos da cidade, no desencadeamento de um desejo crescente de modernização urbana, que não levou em conta alguns marcos de seu patrimônio. A esplada da estação ferroviária, simbolo da potencia economida, da troca de informação e da movimentação do dia-a-dia fora demolida para dar lugar a obra da Estação Rodoviária de estilo modernista. Mais tarde, na década de 1970, nem mesmo os projetos de Eiras Garcia para as três praças citadas resistiram à construção da nova catedral e seus vitrais coloridos.

Centro para o Jardim Seixas - Anos 70.jpg

Assim ocorreu também com os galpões e maquinas de beneficiamento localizados ao longo da linha férrea. Visto como um local sujo, com ruas irregulares de terra e ao nível do leito do Rio Preto - certamente maltratado pelas enchentes, decidiu-se por demolir todos os imóveis em troca de lotes ao longo da Vila Maceno e longe dos problemas das cheias do Rio Preto.

algodoeira.jpg

Para a área desapropriada surge então uma nova proposta, que passa a ser de domínio publico. Os imóveis são demolidos para dar lugar à construção do que seria a Praça Cívica de São José do Rio Preto. Através da realização de um concurso, o projeto escolhido, elaborado pelos arquitetos Ernani Vilela e José Luiz Gonçalves e pelo engenheiro José Gonçalves Toscano, teria 18.000m² de área construída composta por um conjunto de edifícios modernistas incluindo Biblioteca, Museu Histórico e de Arte Contemporânea, Concha Acústica, Pira, Centro Comercial em edifício de 15 andares.

Praça_Cívica_-primeira_proposta.jpg

Entretanto, por divergências políticas, somente um edifício foi construído, a Biblioteca Municipal. Dada sua escala monumental, destoante do contexto, um novo projeto paisagístico fora elaborado para mitigar seu impacto e dar novo uso ao conjunto que não fora concretizado[2]. Hoje, esse edifício abriga além da Biblioteca Municipal, a Secretaria de Cultura do Município de São José do Rio Preto e a Pinacoteca.

Praça_Cívica_-_paisagismo.jpg

Mesmo assim, o caráter cívico do lugar, encrustrado pela barreira da ferrovia, talvez nunca tenha sido, de fato, concretizado. Apesar do acesso entre o centro e a praça cívica serem feitos pelas ruas Bernardino de Campos e General Glicério, a linha férrea e a Estação se portam como elementos de segregação. Não há qualquer ligação entre estes dois lugares. São paisagens completamente diferentes entre si. De um lado, a agitação do centro comercial; de outro, um local inóspito entre as barreiras e suas dificuldades em transpô-las.

Com o passar do tempo a Praça foi ganhando um aspecto de abandono, iluminação deficiente no período noturno, bancos velhos e vegetação sem cuidados. Atualmente, sua imagem é lida pela comunidade riopretense como um lugar perigoso, pois é utilizada, predominantemente, como abrigo para moradores de rua, usuários de drogas e prostituição. Entretanto, em algumas épocas do ano se transforma em palco de shows e exposições, além de local de ensaios de baterias estudantis.

bateria-pracacivica

*As imagens publicadas são de autoria própria ou foram cedidas aos autores do Blog da Praça Cívica.

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------

[1] FRANCISCO, A. M. Contribuição à história da urbanização de São José do Rio Preto-SP. Revista Tópos, Presidente Prudente, v. 5, n. 1, p.119-142, UNESP, 2011.

[2] A prefeitura contratou então os arquitetos da ERPLAN - Escritório Regional de Planejamento -, Mirthes I. S. Baffi e Jamil José Kfouri, para o novo projeto paisagístico da Praça Cívica “Leonardo Gomes”.

 
 
 

Comentários


Destaque
Mais recentes
Archive
Search By Tags
Follow Us
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

© 2014 por Website em breve. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page